O vale-refeição (VR) concedido a trabalhadores em Santa Catarina, assim como em todo o Brasil, tem se tornado cada vez mais insuficiente para cobrir os custos de alimentação ao longo do mês. Um levantamento recente aponta que o saldo médio mensal do benefício, que gira em torno de R$ 583,75, só é capaz de custear nove dias úteis de almoço. Isso representa uma queda drástica em comparação com 2019, quando o mesmo valor cobria aproximadamente 18 dias úteis.
A defasagem entre o valor do benefício e o custo real das refeições força os trabalhadores a complementar a alimentação com recursos próprios. Estima-se que, para arcar com os cerca de 22 dias úteis de almoço necessários, o profissional desembolse, em média, R$ 589,00 de seu salário. Este valor é 101% superior ao que é recebido através do VR, evidenciando a pressão financeira sobre os trabalhadores.
Em Florianópolis, a situação se agrava ainda mais. O custo médio de uma refeição completa na capital catarinense pode atingir R$ 66,40, valor significativamente superior à média nacional de R$ 52,75 e também acima da média nacional de R$ 44,69 apontada no levantamento geral. Essa disparidade faz com que a cidade figure entre as que possuem o maior custo de alimentação fora de casa no país, especialmente em regiões com maior apelo turístico ou polos tecnológicos.
Diante desse cenário, trabalhadores em importantes polos industriais e tecnológicos de Santa Catarina, como Joinville, Blumenau e a própria Florianópolis, têm buscado alternativas, como levar marmitas preparadas em casa. A insuficiência do vale-refeição também se tornou um ponto de pauta frequente em negociações sindicais e discussões internas de departamentos de Recursos Humanos, refletindo a preocupação com o bem-estar e o poder de compra dos colaboradores.




