O Ministério da Saúde, em colaboração com a coordenação estadual de Santa Catarina, promoveu nos dias 27 e 28 de maio uma oficina crucial para o avanço na linha de cuidado das hepatites virais. Realizado em Florianópolis, o encontro congregou profissionais de saúde, representantes de movimentos sociais e gestores técnicos, com o objetivo primordial de qualificar e organizar a oferta de serviços de saúde. A iniciativa alinha-se às diretrizes do Guia de Eliminação das Hepatites Virais no Brasil, que estabelece metas ambiciosas para a redução da incidência e mortalidade, além da ampliação do acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites B e C, com o propósito de erradicá-las como problema de saúde pública até 2030, em consonância com as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante os dois dias de trabalho intensivo, foram analisados detalhadamente os dados epidemiológicos das hepatites virais em Santa Catarina e os resultados de um diagnóstico situacional abrangente da rede de atenção à saúde. Este diagnóstico, que utilizou georreferenciamento e inquéritos municipais, serviu de base para a construção de propostas inovadoras de fluxos assistenciais. Estas propostas foram elaboradas para se adaptar às especificidades de diferentes serviços, incluindo a Atenção Primária à Saúde (APS), hemocentros, serviços de hemodiálise, Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), maternidades e unidades prisionais, com atenção especial às populações mais vulneráveis.

A coordenadora-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa, ressaltou a importância da colaboração entre diferentes esferas governamentais e a participação ativa da sociedade civil. "A construção de uma linha de cuidado para pessoas com hepatites virais exige um esforço conjunto", declarou Arakawa. Ela enfatizou que a oficina em Santa Catarina exemplifica como o diálogo entre o Ministério, estados, municípios e a sociedade organizada é fundamental para alinhar as ações. "Nosso compromisso é com a descentralização e coordenação do cuidado, garantindo que cada pessoa tenha acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de forma equitativa e humanizada", completou.

O evento contou com a participação de aproximadamente 70 pessoas, incluindo representantes de diversas áreas técnicas do Ministério da Saúde, como HIV/Aids, Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis, além de secretarias como a de Saúde Indígena (Sesai) e Atenção Primária (Saps). Organizações da sociedade civil, como a Aliança Independente de Grupos de Apoio à Pessoa com Hepatites Virais (AIGA) e o Movimento Brasileiro de Hepatites Virais (MBHV), também marcaram presença, enriquecendo o debate com suas perspectivas. Os resultados desta oficina subsidiarão a definição e a pactuação de estratégias concretas para a linha de cuidado das hepatites virais em Santa Catarina, fortalecendo a resposta estadual e impulsionando o alcance das metas de eliminação.