O rápido avanço das inteligências artificiais generativas tem imposto novos desafios ao sistema educacional de Santa Catarina, provocando mudanças significativas na rotina de escolas e universidades. A capacidade dessas ferramentas de produzir textos, imagens, vídeos e códigos a partir de comandos simples levanta questionamentos cruciais sobre como ensinar, aprender e avaliar o conhecimento na era digital. O tema foi central nas discussões do 7º Congresso Internacional da Rede de Educação OnLIFE (RIEOnLIFE), realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), onde especialistas defenderam que o debate vá além da simples permissão ou proibição, focando na integração pedagógica.
Diante da onipresença da IA, educadores e pesquisadores ressaltam a necessidade de desenvolver novas competências tanto em professores quanto em estudantes. Eliane Schlemmer, presidente da RIEOnLIFE, enfatiza a importância da capacidade de formular perguntas precisas e de avaliar criticamente as informações geradas pelas IAs. O conhecimento fundamental permanece essencial, servindo como base para a verificação e análise das respostas produzidas pela tecnologia. Questões como os vieses inerentes aos algoritmos e os riscos associados ao uso indiscriminado também foram apontadas como pontos cruciais para discussão.
Na perspectiva dos docentes, a preparação para lidar com a inteligência artificial é vista como um passo inevitável. João Velasques Paladini, professor e pesquisador, argumenta que a familiaridade com essas ferramentas é fundamental para que os educadores possam utilizá-las de forma adequada e proveitosa nas práticas pedagógicas. Carolina Müller, outra pesquisadora, sugere que a IA pode ser uma aliada poderosa para estimular os alunos a construir conhecimento ativamente, em vez de se limitarem a buscar respostas prontas. A ênfase recai sobre a necessidade de atividades escolares que incentivem a reflexão, a problematização e o uso consciente da tecnologia, capacitando os estudantes a questionar e analisar o conteúdo obtido.
A discussão sobre a inteligência artificial transcendeu o âmbito acadêmico e chegou ao cenário legislativo catarinense. O Projeto de Lei (PL) 859/2025, atualmente em tramitação na Alesc, propõe a criação de uma política estadual de educação digital, com diretrizes claras para a inclusão de conteúdos sobre inteligência artificial na educação básica e a capacitação de profissionais para o uso pedagógico e ético da tecnologia. A proposta também abrange aspectos de segurança da informação e proteção de dados. O texto aguarda análise nas comissões da Assembleia, sinalizando um movimento do estado para se adaptar às transformações tecnológicas na educação, alinhando-se a iniciativas federais como a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (Ebia).




