Florianópolis consolida posição de destaque nacional na prevenção ao HIV. Dados do Ministério da Saúde colocam a capital catarinense em segundo lugar entre as capitais no indicador “PrEP:HIV”, com índice de 13,38 — quase três vezes acima da média brasileira, de 5,01.

O índice relaciona o número de pessoas em uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) aos novos casos da infecção. Na prática, isso indica que, para cada novo diagnóstico na cidade, mais de 13 pessoas utilizam a estratégia preventiva, que pode reduzir em até 99% o risco de infecção quando seguida corretamente.

O resultado supera com folga o parâmetro epidemiológico considerado positivo, já que índices acima de 3 indicam tendência de queda nos casos. Em Florianópolis, o número reforça o impacto das políticas públicas na área.

Políticas públicas e impacto nos indicadores

O desempenho é atribuído à atuação da rede municipal de saúde, com ampliação do acesso à prevenção e ao tratamento. Entre as ações estão a oferta gratuita de preservativos, testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, autotestes e acesso facilitado à PrEP e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

A abordagem acolhedora e livre de estigmas também tem sido apontada como fator importante para ampliar a adesão aos serviços.

Entre 2019 e 2024, a cidade registrou queda de 29% nos novos casos de HIV e de 29,1% nos casos de aids — a maior redução acumulada entre as capitais brasileiras.

Os resultados estão ligados à estratégia de prevenção combinada, que integra diferentes métodos conforme o perfil de cada pessoa. A abordagem inclui uso de preservativos, testagem regular, tratamento e ações de redução de danos.

Desde 2018, 6.103 pessoas iniciaram o uso da PrEP em Florianópolis. Atualmente, 2.759 seguem em uso regular. O indicador “PrEP:HIV” também evoluiu, passando de 7,88 em junho de 2023 para 13,38 em fevereiro de 2026.

A testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C está disponível nos Centros de Saúde e em três Centros de Testagem e Resposta Rápida, nas policlínicas do Centro, Continente e Norte.

Em dezembro de 2025, o município recebeu o Selo Prata pela eliminação da transmissão vertical do HIV e o Selo Bronze pelo enfrentamento da sífilis congênita, indicando qualidade no pré-natal.

Pessoas diagnosticadas podem iniciar tratamento no mesmo dia ou em até sete dias. A rede também implantou a entrega de medicamentos pelos Correios, já utilizada por cerca de 2 mil pacientes.

Equipes realizam ainda busca ativa de pessoas que interromperam ou não iniciaram o tratamento. Desde 2024, 1.634 foram contatadas e 676 retomaram a terapia.

Atualmente, cerca de 9 mil pessoas estão em tratamento, enquanto aproximadamente 1.400, apesar do diagnóstico, ainda não iniciaram acompanhamento.

A PEP segue disponível para situações de risco, com início em até 72 horas e duração de 28 dias. Já a PrEP é ofertada pelo SUS para pessoas a partir de 15 anos.

O município também participa de estudos sobre novas tecnologias, como a PrEP injetável, e ampliou a distribuição de autotestes, com crescimento de cerca de 52% até outubro de 2025.

Com ações integradas de prevenção, diagnóstico e tratamento, Florianópolis mantém tendência de redução dos casos e amplia a cobertura preventiva, consolidando-se como referência nacional no enfrentamento ao HIV.