A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está reforçando o planejamento para reduzir possíveis impactos de eventos climáticos associados ao El Niño na Capital. As ações envolvem prevenção, monitoramento e organização dos serviços para garantir a continuidade do atendimento mesmo diante de situações extremas.

A estratégia é coordenada pela Rede Vigidesastres, responsável por articular a atuação da Saúde em situações de emergência relacionadas a desastres. Diferentes setores da secretaria trabalham de forma integrada para identificar riscos, organizar recursos e definir respostas de acordo com cada cenário.

Pacientes com tratamentos contínuos terão atenção especial

Uma das principais medidas é o georreferenciamento de pessoas que dependem de cuidados de saúde contínuos. O levantamento reúne cerca de 250 pacientes que fazem hemodiálise, além de pessoas em tratamento oncológico, como quimioterapia e radioterapia, transplantados e pacientes que precisam de oxigenoterapia.

A localização desses pacientes permitirá antecipar estratégias quando houver previsão de condições climáticas adversas. Com base nos alertas da Defesa Civil, emitidos com 24 horas de antecedência para determinadas regiões, a Secretaria poderá organizar previamente o transporte e os atendimentos, reduzindo o risco de interrupção de tratamentos essenciais.

O planejamento também inclui o mapeamento dos motoristas e a definição de caminhos alternativos. Assim, em casos de enchentes, enxurradas ou bloqueios de ruas e rodovias, será possível reorganizar o deslocamento de pacientes e profissionais.

“Estamos pensando em todos, mas especialmente naquelas pessoas que dependem de cuidados contínuos e que podem ficar mais vulneráveis durante um evento climático forte. Nosso objetivo é garantir que o acesso à saúde não seja interrompido. Por isso, estamos nos antecipando, planejando e colocando em prática ações que permitam uma resposta rápida quando necessário”, afirma o secretário municipal de Saúde, Almir Gentil.

A preparação da rede também segue as diretrizes do Plano de Contingência para Inundações e Alagamentos. O documento estabelece procedimentos de preparação, acompanhamento e resposta que podem ser ampliados conforme a evolução do risco.

Entre as ações está a formação de estoques estratégicos de medicamentos, vacinas, insumos e outros materiais necessários para os atendimentos. Quando houver risco para determinadas áreas, esses produtos poderão ser transferidos preventivamente para unidades situadas em locais considerados seguros, evitando perdas e ajudando a manter o abastecimento.

A Secretaria também trabalha na organização das equipes, dos fluxos de atendimento e dos encaminhamentos, com atenção especial aos serviços de urgência e emergência. O funcionamento da rede poderá ser adaptado conforme as condições de cada região.

Outra frente envolve o deslocamento de profissionais de plantão e das equipes do SAMU, com alternativas previstas para situações de alagamento, interdição de vias ou alterações no trânsito.

Segundo Almir Gentil, a estrutura poderá ser reorganizada de acordo com a necessidade. Os atendimentos poderão ser transferidos entre unidades e para pontos de triagem instalados em abrigos ou outros locais previamente definidos. Também estão sendo planejadas bases regionais de apoio que possam reunir serviços de saúde, assistência social, água potável e outras estruturas essenciais.

O Plano de Contingência para Inundações e Alagamentos é dividido em cinco estágios operacionais, que começam na situação de normalidade e avançam até o estado de crise. A classificação permite aumentar gradualmente as medidas de resposta conforme a gravidade do cenário.

O planejamento da Saúde não se limita ao período de ocorrência dos eventos climáticos. O período posterior a enchentes, enxurradas e chuvas prolongadas também exige atenção, já que pode haver aumento de riscos relacionados à água contaminada, às condições sanitárias e à presença de vetores.

Nessas situações, serão reforçadas ações de vigilância, prevenção e assistência, com acompanhamento do comportamento epidemiológico no Município. Entre as doenças que poderão ser monitoradas estão leptospirose, hepatites e doenças diarreicas.

A dengue também está entre as preocupações, já que o acúmulo de água pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Florianópolis mantém ações permanentes de monitoramento de casos e focos, controle do vetor e orientação aos moradores, que poderão ser intensificadas conforme a necessidade após períodos de chuva intensa.

A preparação envolve a Secretaria Municipal de Saúde, a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, a Secretaria do Meio Ambiente e outros órgãos que participam da resposta a emergências.

A capacidade de resposta da rede também é fortalecida por ações permanentes de manutenção predial, obras, reformas e aquisição e conservação de equipamentos. Embora não sejam medidas exclusivas para o El Niño, essas iniciativas contribuem para manter os serviços funcionando diante de eventos extremos.

Outra etapa prevista é a realização de um simulado de mesa com a participação de diferentes gerências e áreas técnicas da Secretaria Municipal de Saúde. O exercício servirá para testar a comunicação entre os setores, os fluxos de atuação e a aplicação das medidas planejadas para diferentes situações de risco.

Com o conjunto de ações, o Município busca estar preparado para diferentes fases de um evento climático, desde o acompanhamento e a prevenção até a resposta e os cuidados posteriores. A prioridade é preservar a assistência, manter tratamentos essenciais e garantir o funcionamento dos serviços de saúde durante possíveis emergências.