O Partido Liberal (PL) em Santa Catarina vislumbra uma legislatura robusta na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc), com projeções que indicam a conquista de até 14 cadeiras. A expectativa é ancorada no forte apelo da sigla junto ao eleitorado de direita e na formação de uma nominata competitiva para as próximas eleições. A possível reeleição do governador Jorginho Mello poderia ainda ampliar essa influência, abrindo caminho para que nomes menos votados no partido ocupem cargos no Executivo, liberando vagas na Alesc. Contudo, mesmo com o provável bom desempenho, o partido se vê às voltas com uma complexa trama de problemas internos que desafiam a liderança de Mello.
Uma das principais tensões que o PL terá de gerenciar reside em suas próprias fileiras, com uma iminente "guerra" eleitoral interna. A disputa por liderança nacional entre Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Níkolas Ferreira já ecoa no estado, dividindo bolsonaristas em grupos distintos. Além disso, Jorginho Mello, como presidente estadual do partido, enfrenta o desafio de pacificar antigas e novas disputas regionais, especialmente em ano de eleições municipais. Municípios como Blumenau e Criciúma, por exemplo, tornaram-se focos de desavenças entre lideranças, transformando o PL em uma "bomba-relógio" que pode ser acionada a qualquer momento por essas divergências.
Os conflitos internos do PL já se manifestam em episódios específicos. Em Capivari de Baixo, a deputada federal Júlia Zanatta (PL) fez críticas abertas ao ex-delegado-geral Ulisses Gabriel, que se filiou ao partido para disputar uma vaga na Alesc. Zanatta acusa Gabriel de quebrar um acordo prévio, quando ele teria prometido não ser candidato em troca de apoio para assumir a Delegacia-Geral. Em Balneário Camboriú, o vereador Guilherme Cardoso deve deixar o PL e migrar para o Republicanos, em desacordo com a aproximação do partido com a prefeita Juliana Pavan (PSD). Cardoso, crítico da gestão pessedista, apoiará Fabrício Oliveira e estuda disputar uma cadeira na Alesc, enquanto outro vereador, Victor Fortes, pode seguir o mesmo caminho.
Paralelamente, o cenário político catarinense observa movimentos significativos em outras frentes. A esquerda do estado começa a flertar com a candidatura de Gelson Merisio (PSB) ao Governo do Estado. Analistas e parte da militância progressista veem Merisio, que se aproxima do centro-esquerda por articulação do presidente Lula, como um "Geraldo Alckmin catarinense", capaz de transitar entre diferentes espectros políticos e atrair apoio do agronegócio e do setor empresarial. Enquanto isso, o MDB de Santa Catarina realiza uma enquete interna com seus presidentes municipais para debater a recente decisão de aliança com o PSD e a Federação União Progressista, gerando discussões e uma reunião em Joinville com importantes lideranças para alinhar as estratégias partidárias. A efervescência política é completada pela abertura de um inquérito pelo Ministério Público para investigar possíveis irregularidades em um contrato da Prefeitura de Florianópolis com um hotel para abrigar pessoas em situação de rua, levantando questões sobre condições de higiene e denúncias trabalhistas.

